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Há prevenção?

Tendo em vista que Burnout é um estresse psicossocial relacionado a determinadas condições e organização de trabalho, é importante identificar os seus fatores de risco para que possam pensar em intervenções adequadas para evitar, reduzir ou eliminar a Síndrome de Burnout. No que diz respeito ao trabalhador, esse deve considerar avaliar? suas estratégias de enfrentamento a situações de estresse, buscando dividir suas dificuldades com chefia, colegas de trabalho, amigos e familiares. Uma vida equilibrada, com atividade de lazer e hábitos de vida saudável, também auxilia na prevenção da síndrome.

 

Nesse sentido o trabalhador deve:

1. Ter atitudes positivas em relação ao trabalho: (a) elogiar as pessoas que atende em seus progressos, desenvolvendo relações positivas com as mesmas, (b) procurar manter a confiança mesmo quando ocorrem fracassos, (c) ter em mente que atender/auxiliar as pessoas é seu trabalho e, portanto, trata-se de uma situação profissional (d) procurar ajustar as atitudes e expectativas de acordo com cada caso e situação. O profissional não é o único responsável pelo bem-estar dos que atende.

2. Manejar o tempo apropriadamente: (a) estabelecer objetivos reais e flexíveis, (b) estabelecer prioridades entre as tarefas, (c) dominar o ritmo do trabalho, (d) usufruir o tempo livre prazerosamente, tendo claro que tempo livre não é somente descansar, mas realizar atividades gratificantes.

3. Definir responsabilidades: (a) definir claramente as atribuições funcionais, (b) usar todos os recursos disponíveis para o trabalho, (c) ter o conhecimento e controle adequado sobre sua área de trabalho, (e) solicitar ajuda tanto do ponto de vista técnico como emocional.

4. Manter-se aberto: (a) para efetuar mudanças no ambiente de trabalho, (b) modificar os métodos de trabalho (c) solicitar retorno de como seu trabalho está sendo realizado e, em função disso, aceitar mudanças e sugestões.

5. Manter-se atualizado: (a) buscar a realização de cursos, seminários e grupos de discussão, (b) aprimorar as habilidades de comunicação e de relacionamento interpessoal.

6. Cuidar de si: a) o cuidado do outro depende do seu cuidado, (b) lembrar que você é parte importante da relação profissional/cliente, mas não é a única, (c) lembrar que sua saúde física e mental é responsabilidade sua, faz parte do seu instrumental de trabalho. Ter sempre em mente que você escolheu essa profissão.

 

Como é feito o tratamento?

Há diferentes formas de intervenção em nível individual, no entanto, é importante destacar suas limitações, podendo inclusive mascarar o problema devido ao consenso de que Burnout tem suas raízes na organização do trabalho. Há importantes advertências sobre consequências quando se pensa em intervenções unicamente voltadas ao trabalhador. Esse foco de intervenção não há dúvidas de que beneficia o trabalhador, mesmo que de forma temporária, no entanto, pode reforçar a concepção equivocada de que esse é um problema do indivíduo e a ele cabe a sua solução, reforçando seu sentimento de fracasso, isolamento e baixa autoestima. A intervenção deve privilegiar a organização do trabalho, forma de execução e contexto social mais amplo. Burnout não é um fenômeno intrapsíquico, mas psicossocial.

Na suspeita de adoecimento, o trabalhador deve procurar auxílio médico e psicológico para realização do adequado diagnóstico, tendo em vista que Burnout apresenta sintomas e dificuldades semelhantes a outras patologias laborais. Caso confirmado o diagnóstico, o tratamento geralmente é realizado através de terapia cognitivo-comportamental com foco nos mecanismos de enfrentamento de situações de estresse no trabalho.

 

 

Dra. Mary Sandra Carlotto é Psicóloga; Mestre em Saúde Coletiva (ULBRA-RS); Doutora em Psicologia Social (USC/ES); Professora e Pesquisadora do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Psicologia do Curso de Psicologia e do PPG em Saúde Coletiva - ULBRA/Canoas. Contato: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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